A Arquitetura e Urbanismo engloba também a Arquitetura de Paisagem?

nathmferreira
Colaborador do Hora Da Facul
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Crédito: Foto de Tima Miroshnichenko no Pexels

Muitas pessoas ainda têm em mente que Engenharia e Arquitetura tem a mesma função. No entanto, essa ideia não condiz com a verdade. Um arquiteto tem outras funções além de erguer construções e muitas ramificações dentro do seu escopo de trabalho. Nesse artigo, vamos apresentar uma delas: a Arquitetura de Paisagem.

Breve história da Arquitetura

A arquitetura começou de forma simples, buscando atender a uma necessidade básica do ser-humano: a moradia. Com o passar do tempo, começamos a entender que era possível erguer edificações com variadas funções, como religiosas ou educativas. Ou seja, o que antes era a necessidade de um indivíduo ou pequeno grupo deles passa a ser um local de serviço e acolhimento à comunidade como um todo.

Assim, a arquitetura se desenvolveu conforme as carências da comunidade e com o contexto histórico e cultural em que ela estava inserida. O começo simples, com pedras e metais, foi substituído ao longo das eras pelo uso de materiais cada vez mais complexos e com funções mais variadas no ambiente.

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As fases mais importantes da arquitetura foram:

  • Era clássica greco-romana, bastante usada em muitos projetos e que serviu como base para muitos elementos;
  • Medieval, cujas principais características eram o uso de perspectiva, proporções e planejamento;
  • Moderna e contemporânea, que trouxe o rompimento dos padrões e o surgimento de inovações estéticas

Apenas na modernidade, o urbanismo começou a ser associado à arquitetura. E com ele, uma gama de novos serviços e possibilidades para os profissionais dessa área.

A evolução das cidades e a relação das pessoas com as paisagens

Com o surgimento das indústrias no século XVIII, o processo de urbanização tornou-se cada vez mais rápido e – porque não dizer – violento. O verde dos campos e sítios passou a ser ligado ao não progresso, sendo substituído pelo preto do asfalto e pelo cinza dos edifícios. O chique era ser urbano.

No entanto, o caos urbano só comprovou que o verde era sim, necessário à saúde mental e física das pessoas. Na era do stress e da correria, paisagens naturais em frente à hospitais, por exemplo, tornavam a melhora dos pacientes mais rápida. Por isso, esse conceito também começou a ser aplicado em outros locais, como escritórios, casas e locais públicos. Era preciso, novamente, reorganizar as cidades.

Identificado o problema, a preservação ambiental entra novamente em pauta – e dizemos novamente porque ela já era uma preocupação no século XVIII, quando ocorreu uma escassez de pau-brasil devido à forte exploração. Da mesma forma, a discussão ressurge na década de 1970 e ganha força na década de 1980, com a redemocratização.

Apesar de a pauta ter ganhado força com a sua inclusão na Constituição Federal de 1988 e com a criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Atualmente, a fiscalização mais rígida esbarra em problemas como a burocratização e a pouca destinação de verbas públicas para o setor. Isto indica a pauta como “de menor importância”.

O surgimento e evolução da Arquitetura de Paisagem

A Arquitetura de Paisagem, termo mais atualizado para “paisagismo”, não tem uma data certa de nascimento, mas surge exatamente do reconhecimento dessa velha necessidade de integrar o ser humano com a natureza, harmonizando a sua interação com o meio ambiente. 

É importante que esse aspecto da arquitetura seja contemplado desde o planejamento. Mostrando a importância do arquiteto de paisagem dentro de um projeto. Afinal, detalhes importantes como posição do sol, iluminação natural, direção do vento e outros fatores ambientais são importantes para construir um ambiente mais agradável e são de responsabilidade desse importante profissional.

Sendo assim, ele é o profissional responsável pelo planejamento, gestão e preservação dos espaços livres de um local. Seja ele urbano, não-urbano, público, privado, externo ou interno. Por isso, sua função vai muito além de só, criar espaços. Ele deve também preservar os espaços naturais já existentes, visando uma convivência harmônica com as construções que já existem ou ainda serão levantadas.

Principais conhecimentos que um paisagista deve ter

Um arquiteto de paisagem carrega uma quantidade bem variada de conhecimentos que são necessários para executar bem seus projetos, incluindo matemática, artes e história. Juntamente com estes, veja alguns outros conhecimentos complementares da área:

  • entendimento da vegetação como elemento arquitetônico;
  • construção de espaços agradáveis e funcionais;
  • além de elementos naturais, conhecimentos e uso de materiais e elementos adicionais, como pisos, muretas e pedras;
  • ter empatia pelas pessoas que vão interagir com aquele espaço, atentando às suas rotinas e meio de ligação com ele;
  • ficar atento à novas tendências e tecnologias, como novos usos e funções de materiais;
  • conhecimento em ecologia, mudanças climáticas de cada região, botânica característica e estilos arquitetônicos.

Paisagismo em ambientes internos? Claro que sim!

É inegável que temos passado cada vez mais tempo em ambientes fechados. Por isso, a necessidade de tornar esses ambientes agradáveis é cada vez mais alta. Sendo assim, porque não trazer o paisagismo para dentro de ambientes internos?

No entanto, a tarefa não é tão simples. A dimensão do espaço externo é muito diferente da dimensão do espaço interno. Para exemplificar, imagine que um espaço externo é uma grande bolha sem formato muito definido. Enquanto o espaço interno funciona como uma bolha delimitada, que geralmente possui um formato em específico onde os elementos precisam se encaixar.

Por isso, é preciso buscar soluções para esses espaços que ainda assim respeitem tanto os elementos naturais quanto os artificiais. Assim, preservando a funcionalidade e organização do espaço, como jardins verticais e telhados verdes, por exemplo.

Onde atuar no mercado de trabalho na Arquitetura de Paisagem?

A Arquitetura de Paisagem funciona como um ramo na Arquitetura e Urbanismo que se tornou bastante popular atualmente. Segundo o site www.salario.com.br, o aumento de contratações com carteira assinada entre maio de 2020 e abril de 2021 foi de 76,47%. 

Atualmente, muitos profissionais buscam um sistema de parceria. Se aliando a outros profissionais como engenheiros e arquitetos para que juntos possam oferecer pacotes de serviços que se complementam. Assim, oferecendo uma experiência mais completa para o cliente. Além disso, muitos empreendimentos setorizados busca a ajuda de arquitetos de paisagem (como casa de repouso para idosos, por exemplo). Visando um conforto e funcionalidade melhores para um público bem específico.

Mais do que a simples necessidade de moradia, a arquitetura passou a ser, ao longo dos anos, a suprir os desejos das pessoas por ambientes melhor adaptados ao seu cotidiano. Isso se deve ao fato de que a relação do homem com o espaço em que vive se tornou cada dia mais estreita. Além, da organização e funcionalidade desses ambientes, que cresceu proporcionalmente a esse estreitamento. 

Mais do que um decorador, o arquiteto passa a ser responsável pelos espaços que as pessoas vão viver, conviver e evoluir como seres pensantes e componentes de uma sociedade. 

Para conhecer mais sobre essa área, leia nosso artigo:

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo: tudo o que precisa saber

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