Quando a Odontologia se tornou uma profissão?

Ana Carolina Silva
Colaborador do Hora Da Facul
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Crédito: Foto: Memorias da Faculdade de Odontologia da UFMG

Quem pretende cursar graduação geralmente se interessa pelos aspectos históricos que envolvem a área escolhida.

No caso da Odontologia, por exemplo, aqui no Brasil, por volta de 1500, já haviam pessoas que faziam extrações de dentes. Contudo, a história da Odontologia é ainda mais antiga.

Mas, afinal, de lá pra cá, quando a Odontologia se tornou uma profissão? Continue a leitura do artigo e descubra mais sobre essa área.

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A “arte dentária” da pré-história à velha Grécia

No princípio, os registros daquilo que se assemelha à Odontologia datam de 9.000 a.C. Dessa época foram encontrados, no Paquistão, restos mortais de indivíduos que apresentavam extrações de dentes e materiais que se pareciam com brocas dentárias. Mais tarde, no começo de 3.500 a.C., descobriu-se na Mesopotâmia documentos antigos que faziam referência a um verme que acabava com parte da estrutura dentária. 

No entanto, naquele período, tanto na Mesopotâmia quanto na Ásia, por exemplo, tudo que dizia respeito à Medicina encontrava-se na esfera da religião e da magia. Ou seja, os “dentistas” eram os sacerdotes das comunidades antigas que praticavam rituais mágicos e religiosos para curar enfermidades. 

Há registros em papiros egípcios de infecções na cavidade bucal. Além disso, na Grécia Antiga, Asclépio e Hipócrates (o primeiro, uma divindade; o segundo, considerado o fundador da Medicina) relataram doenças da boca, a exemplo de cárie dentária, má-oclusão e abscessos. 

Odontologia: da Europa à América

No século XIV na França, um cirurgião-dentista chamado  Guy de Chauliac mencionou pela primeira vez o termo “dentista”. Em seguida, já no século XVI, surgem os primeiros relatos sobre a Odontologia abordada de maneira científica no continente europeu. Importante destacar que até o século XVII, os “dentistas” arrancavam os dentes  dos pacientes  em praças públicas. Finalmente no século XVIII, Pierre Fauchard, considerado o “Pai da Odontologia”, inicia sua carreira como cirurgião e publica seus primeiros estudos na área.

Em contrapartida, a Odontologia é disseminada na América do Norte, mais precisamente em Quebec (Canadá), por Claude Mouton em 1746 com a publicação de um estudo relacionado à próteses. Rapidamente a profissão evoluiu e, em 1756, o alemão Philip Pfaff publica um livro sobre confecção de moldes de gesso e outros tipos de próteses dentárias. Por fim, ao final do século XVIII, um grande avanço para a Odontologia: a fabricação de dentes de porcelana. 

A evolução da Odontologia na Europa contém uma série de histórias curiosas sobre a profissão. Em primeiro lugar, os instrumentos dentários, como o “pelicano dental”, foram aperfeiçoados nesse período. Em segundo lugar, os avanços com procedimentos dentários pioneiros, mas também as técnicas duvidosas (como o caso do bochecho com urina). Em terceiro lugar, naquela época, temos o açúcar já como o grande “vilão” para os dentes. Na Europa do século XVI, era comum as pessoas terem os dentes pretos, fato decorrente do consumo excessivo de doces. 

Evolução dos equipamentos e implementação dos consultórios

A partir do ano de  1740 inicia a prática dos pacientes atendidos nas casas dos dentistas. Na mesma época, houve também uma evolução nos instrumentos e equipamentos de uso desses profissionais. Assim, surgem as primeiras cadeiras odontológicas, feitas em madeira e depois em metal. Posteriormente, aparecem os primeiros temidos “motores”, além dos sugadores de saliva. Também são descritos avanços na analgesia, com a substituição da anestesia geral pela anestesia local através do uso de substâncias como cocaína e procaína.

Finalmente, em 1840, são criadas as primeiras escolas de Odontologia, em especial nos Estados Unidos. Saltando na História, em 1956 são aperfeiçoados os instrumentos dentários utilizados. Além disso, também ocorrem modificações nas cadeiras dentárias, que se tornam mais confortáveis e versáteis. Ademais, a Odontologia, em meados de 1970, passou a ter um caráter preventivo em detrimento do perfil apenas curativo. 

Como a Odontologia evoluiu no Brasil?

Em terras brasileiras, a profissão de Odontologia chegou na mesma época do descobrimento do Brasil. Com a vinda de colonizadores, era comum a presença de muitos mestres cirurgiões, sangradores e barbeiros. Por terem mais habilidades manuais, coube aos barbeiros serem os primeiros “dentistas” em nosso país. Entre os séculos XVII e XVIII, a Odontologia era exercida por negros e escravos alforriados.

Assim, em 1629 tem-se o primeiro “rascunho” de uma legislação da prática odontológica no Brasil, a “Carta Régia de Portugal”. A princípio esse documento tinha o intuito de punir o exercício “ilegal” da profissão por parte dos barbeiros. Em seguida, em 1743, surge o “Regimento ao Cirurgião Substituto das Minas Gerais”, considerado por muitos a primeira legislação da área. 

Nesse período, por volta de 1790, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira, iniciou seus trabalhos como dentista. Na ocasião, Tirandentes foi revolucionário ao utilizar as propriedades de algumas plantas no tratamento dentário. Além disso, o dentista ficou conhecido por esculpir dentes (utilizando ossos de animais) com tal maestria que os fazia parecerem naturais.

1800: ampla evolução da Odontologia no Brasil

Com a transferência da sede da Coroa Portuguesa para o Brasil, tudo evolui. Dessa forma, é criada a Escola de Cirurgia da Bahia. Na mesma época, são publicadas várias cartas e estudos na área odontológica, tanto no Brasil quanto no mundo. Em 1881 são publicados decretos que regulamentam, de maneira primária ainda, a formação em Odontologia no país. 

Imediatamente, em 1884 é instituído o primeiro curso de Odontologia, anexado às faculdades de Medicina. Sendo assim, em 25 de outubro de 1884 é decretado o Dia do Cirurgião-Dentista no Brasil. Dessa época em diante, a Odontologia no Brasil só avança com o século XX. 

Criação dos Conselhos de Odontologia 

Finalmente, em 1966, por meio da lei 5.081/66, é regulamentada a profissão e a especialidade ganha notoriedade em nosso país. Além disso, a criação do Conselho Federal de Odontologia (CFO) e os Conselhos Regionais de Odontologia (CRO) endossam a contribuição da Odontologia para a sociedade brasileira.

Segundo dados do CFO, no Brasil são 331.502 mil dentistas ativos. Mas, esse quantitativo não é suficiente para mudar a realidade da saúde bucal em nosso país, em especial para os mais pobres. Apenas em 2003 é criada no Brasil a Política Nacional de Saúde Bucal, com o objetivo de atender as unidades de Saúde da Família, do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro.

Embora seja uma área tradicional, a Odontologia ainda tem muito a evoluir em nosso país, principalmente no que diz respeito à democratização do acesso à saúde bucal.

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