Quanto ganha um fisioterapeuta neurofuncional?

Ana Carolina Silva
Colaborador do Hora Da Facul
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Crédito: Foto: Javier Sánchez Mingorance/ Canva

A fisioterapia tem diversas áreas de atuação que ainda não são conhecidas pelos estudantes da área, e  até pelos profissionais já graduados. Sendo assim, uma das áreas que podemos citar é a fisioterapia neurofuncional, em expansão no Brasil e no mundo. Por ser uma área que lida diretamente com a neurologia é uma especialidade bem ampla. Sendo assim, vale a pena atuar com a área neurológica, em fisioterapia? Dessa forma, qual a remuneração de um fisioterapeuta neurofuncional? Continue a leitura e saiba mais sobre o mercado profissional dessa especialidade.

Em síntese, os profissionais dessa área irão atuar nas doenças que afetam o Sistema Nervoso Central e Periférico. Acima de tudo, com enfermidades que causam distúrbios neurológicos, motores e cognitivos. Para definir mais amplamente, de acordo com a Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional – ABRAFIN, essa especialidade atua de forma preventiva, curativa, adaptativa e paliativa nas sequelas aos danos no Sistema Nervoso. Os fisioterapeutas neurofuncionais podem atuar em pacientes acometidos por sequelas de doenças como:

  • Acidente Vascular Encefálico – AVE (que podem ser isquêmicos e hemorrágicos);
  • Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA;
  • Doença de Parkinson;
  • Hidrocefalia;
  • Traumatismo cranioencefálico;
  • Derrames e paralisias cerebrais.

Panorama da fisioterapia neurofuncional

De forma geral, os recursos utilizados pelos fisioterapeutas, nessa especialidade são a eletroestimulação, fortalecimento muscular, outros tipos de terapias manuais e simulação de movimentos. 

As internações por coronavírus evidenciaram a necessidade dessa especialidade durante a pandemia. Isso porque, estima-se que 35% dos pacientes internados, com formas graves de Covid-19, tenham apresentado sequelas, como por exemplo o Acidente Vascular Encefálico Isquêmico – AVEi . Ainda de acordo com pesquisas recentes, em casos raros, pacientes já recuperados do coronavírus, apresentaram a síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que caracteriza-se pela fraqueza muscular progressiva. Em ambos os casos, o fisioterapeuta neuromuscular pode atuar. 

Quais os requisitos para atuar com fisioterapia neurofuncional?

Além de ter feito curso de graduação em Fisioterapia, quem desejar atuar na especialidade neurofuncional, deve possuir inscrição no Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO e fazer uma pós-graduação na área, que em média tem duração de um ano. Entre as disciplinas do curso destacam-se: 

  • avaliação neurofuncional;
  • competências socioemocionais;
  • fisioterapia neurofuncional no neonato, na criança e no adolescente;
  • hidroterapia;
  • neuroanatomia funcional;
  • neurologia clínica.

Onde o fisioterapeuta neurofuncional pode atuar?

A atuação desses profissionais é ampla, tendo em vista que eles não atuam somente no tratamento das sequelas causadas por enfermidades que acometem o sistema nervoso, mas também na prevenção dessas doenças. Os fisioterapeutas neurofuncionais podem atuar em clínicas, centros de reabilitação, hospitais, UTIs, centros desportivos adaptados, postos de saúde, no ambiente domiciliar e também no trabalho, em empresas públicas e privadas. 

Afinal, quanto ganha um fisioterapeuta neurofuncional?

É importante salientar que os valores vão depender das funções de atuação e da localidade estadual. Mas, para se ter uma ideia geral, o piso salarial, em 2021, do fisioterapeuta neurofuncional, de acordo com o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO é de R$ 2.328,39, para uma jornada de trabalho de 28 horas semanais. 

Dados do site salário.com.br, com informações baseadas no novo CAGED e eSocial, atualizadas entre os meses de abril de 2020 e março de 2021, indicam que a faixa salarial dos profissionais de fisioterapia neurofuncional fica entre R$ 2.328,39 e R$ 4.559,76 (considerando vagas em regime CLT). 

Qual a diferença de salários, de acordo com a localidade?

Dados do CAGED e do eSocial destacam que entre as cidades brasileiras que mais contratam fisioterapeutas neurofuncionais, está a cidade de Santana do Ipanema, em Alagoas, com média salarial de R$ 3.028,66. Em seguida estão: 

  • Belo Horizonte, em Minas Gerais – média salarial de R$ 1.645,00;
  • Goiânia, em Goiás – média salarial de R$ 3.007,49;
  • São Gonçalo, no Rio de Janeiro – média salarial de R$ 3.200,00;
  • Cuiabá, no Mato Grosso – média salarial de R$ 2.521,50.

Diferenças de salário: por nível profissional e porte da empresa

O tempo de atuação do profissional no mercado de trabalho, também é determinante para indicar a faixa salarial de fisioterapeutas neurofuncionais. Profissionais na categoria júnior (com até quatro anos de experiência) recebem em média R$ 2.447,67. Em contrapartida no nível pleno (entre quatro e seis anos de experiência) os salários podem chegar à R$ 4.230,21. 

Essa variação salarial também vai depender, é claro, do porte da empresa, e se a atuação é pública ou privada. De acordo com pesquisas do CAGED, profissionais de micro empresas (que têm até 19 funcionários) recebem salários que variam entre R$ 2.287,93 e R$ 3.179,20. Nas grandes empresas (com mais de 500 funcionários) as bases salariais ficam entre R$ 1.223,84 e R$ 2.115,11. 

Salário do fisioterapeuta neurofuncional no exterior

Sobretudo, durante a pandemia de Covid-19 , diversas especialidades na área de saúde foram evidenciadas pelo mundo. Se no Brasil temos o Sistema Único de Saúde – SUS, onde os profissionais de fisioterapia atuam de forma ampla, nos Estados Unidos, por exemplo, o sistema de saúde não é universal e a procura por hospitais particulares é grande.

Nesse contexto, trabalhar na área de fisioterapia no exterior pode agregar e muito à sua carreira profissional. Além disso, outro fator é a valorização de algumas moedas, como é o caso do dólar americano e do euro, o que pode ser um dos atrativos para exercer a profissão no exterior.

Nesse sentido, as oportunidades em outros países, na área de fisioterapia neurofuncional são diversas. Mas é preciso ter em mente que existem processos burocráticos para atuar em outros países.

Além da questão do idioma (exames de proeficiência), também é necessário – em alguns países – a validação do diploma. Também são exigidos em alguns casos, documentos expedidos pelo CREFITO (em âmbito regional), como certidão negativa de processos éticos e comprovantes de regularidade junto ao conselho.

Países que melhor remuneram o fisioterapeuta neurofuncional

Os países mais procurados para atuação de fisioterapeutas no exterior, seja pelo amplo número de oportunidades, ou por conta da valorização da moeda, são:

  • Estados Unidos;
  • Canadá;
  • Reino Unido;
  • Portugal;
  • Uruguai. 

Segundo o U.S Boureau Of Labor Statistics (uma espécie de secretaria de trabalho dos EUA) o salário para fisioterapeutas no exterior é de US$ 7.400 por mês – equivalente a R$ 38.000,00.  Além disso, dados apontam um aumento de 18% nas vagas de empregos para esses profissionais nos próximos anos com a adição de 47 mil empregos, incluindo vagas na área neurológica.

Em contrapartida, no Canadá, onde há especialidade compatível com a fisioterapia neurofuncional – ciências neurológicas, os valores por hora trabalhada variam entre CAD$ 35,00 e CAD$ 45,00 – o equivalente no Brasil à mais ou menos R$ 160,00.

Por outro lado, se formos comparar com o Brasil, a hora trabalhada em fisioterapia está entre R$16,00 e R$ 33,00.

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