7 dicas para uma produtividade plena

Juliana Lanzarini
Jornalista e psicopedagoga, é autora do livro "Talvez eu tenha morrido" (Editora Feminas), semifinalista do Prêmio Oceanos 2020. Coordena o projeto @somosinana e atua há mais e 15 anos no mercado escrevendo, entre outros, sobre finanças pessoais, energia elétrica, indústria portuária, naval e offshore, setor aeroportuário e direitos humanos.

Crédito: Separamos 7 dicas para alcançar uma produtividade plena. Crédito da imagem: Canva.com

Há nas redes dezenas de frases de efeito, por vezes mirabolantes, para ajudar pessoas a se tornarem mais eficientes. A produtividade, inclusive, tornou-se palavra recorrente em se tratando de trabalho remoto. Mas será mesmo que as dicas ajudam a ser mais produtivo? Para aprofundar esse tema, vamos desmistificar o conceito de produtividade. 

Nesse texto, em vez de dicas mecanicistas e sem serventia, vamos conhecer ideias para ajudar os estudantes a aproveitarem melhor o tempo e, com isso, conquistar a produtividade plena.

Cuidado com a produtividade tóxica

A primeira coisa para se ter em mente é justamente o cuidado com o pensamento produtivista.

Ou seja: o desejo excessivo de ser produtivo e de estar sempre à frente faz mal. 

Nos estudos, em casa ou no trabalho, é fundamental aprender a lidar com a frustração e a respeitar os limites corporais e emocionais.

Para quem estuda ou trabalha de forma remota, o sentimento de isolamento também pode ser um problema. 

Por isso, em nome da produtividade, perder o contato com familiares e amigos pode ocasionar sérios problemas.

Ou seja, manter uma vida social é fundamental para que o trabalho seja, acima de tudo, criativo. Consequentemente, a empresa e os clientes só terão a ganhar.

Saiba mais sobre como a produtividade tóxica pode impactar a sua saúde mental. 

Adolescentes e jovens estão mais ansiosos

Outra área da vida que precisa ser considerada pelas pessoas que desejam produzir melhor é a saúde mental.

Isso porque, para exercer o trabalho com qualidade ao longo do tempo, os funcionários precisam estar bem. 

Em 2013, uma pesquisa realizada pelo Ibope havia demonstrado que 98% dos brasileiros se sentiam cansados mental e fisicamente. Entre os entrevistados, os jovens de 20 a 29 anos representaram a maior fatia dos exaustos. 

A situação parece ter se agravado com a pandemia da Covid-19. Outra pesquisa, desta vez realizada pelo Espro (Ensino Social e Profissionalizantes), constatou que 88% dos adolescentes e jovens  dizem estar mais ansiosos do que o normal.

Para a realização da pesquisa, o Espero entrevistou 6.895 adolescentes e jovens. As coletas foram realizadas em dois períodos: o primeiro, de 14/4/20 a 30/4/20 e o segundo de 18/5/20 a  3/6/20. 

Saiba como os aprendizes estão lidando com a pandemia do coronavírus.

Sociedade do Cansaço

No livro “Sociedade do Cansaço”, o escritor coreano Byung-Chul Han  apresenta justamente um teor reflexivo sobre o estímulo frenético por desempenho.

Segundo ele, o excesso de positividade seria uma forma de violência capaz de abalar até mesmo a nossa saúde física e emocional. 

O autor se refere, acima de tudo, a uma violência mais sutil, que se daria de três maneiras. A primeira delas seria a superprodução, que leva as pessoas a produzirem mais. A segunda delas seria o superdesempenho, em que as pessoas são medidas pelos resultados. E a terceira seria a supercomunicação, relacionada ao excesso de conectividade.

Como resultado, segundo o autor, surgem as chamadas doenças neuronais. Entre elas, podemos citar a Síndrome de Burnout, a Síndrome de Hiperatividade (TDAH),  o Transtorno de personalidade limítrofe (TPL) e mesmo a depressão.

Em entrevista para a Rádio USP, Adriana Marino, doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo, disse que o estresse e os distúrbios do humor são alguns dos sintomas que emergem nessa sociedade do cansaço.

Em grande parte, a sociedade do cansaço em que vivemos se deve, ainda de acordo com ela, grande parte, à nossa imersão no mundo digital.

“A nossa vida imersa no mundo digital, com mensagens a cada segundo, facilidades de comunicação e a pulverização de informações, faz com que estejamos sempre antenados, sempre atentos ao que está acontecendo”, explicou.

Aprenda a cuidar de si

Outra dica para evitar o esgotamento mental resultante da sociedade do cansaço é aprender a cuidar de si. 

Não estamos falando de autocuidado apenas, mas de uma aprendizagem mais profunda e reflexiva sobre nossas ações e escolhas.

Acontece que, no mundo pós-moderno, as pessoas acabam conduzindo suas vidas por incontáveis tarefas que se avolumam sobre as outras. 

E, nesse contexto, é possível que mesmo as tarefas que envolvam o autocuidado (exercícios, alimentação saudável, cuidados com a pele, entre outros) sejam inseridas na agenda como mais um compromisso entre tantos. 

Consequentemente, não paramos sequer para pensar, refletir e buscar o autoconhecimento. Distanciamo-nos assim de nós mesmos, deixando de oferecer o nosso melhor.

Escolha em que focar suas energias e produza melhor

Como resultado da sociedade do cansaço e da dificuldade de cuidar de si, são muitas as pessoas que trabalham com quantidade, mas sem qualidade. Produzem assim sem qualquer sentido real de transformação e melhoria do coletivo.

Mas como produzir então de forma saudável?  Em primeiro lugar, é fundamental cuidar do corpo, da alma e das relações a partir de uma lógica que funciona independentemente das relações de consumo.

No artigo “Aprender a cuidar de si”, o professor de Filosofia da Universidade Federal do Piauí, Luizir de Oliveira, por exemplo, analisa o pensamento de Sêneca (4 a. C. – 65) para falar sobre esse cuidado de si. 

Segundo o professor, as ideias do filósofo podem nos ajudar a alcançarmos um autodomínio que possibilite o estado de consciência tranquilo. Nesse contexto, seria fundamental escolher bem as atividades que deseja desempenhar.

Para isso, seria necessário aprender a conviver consigo por meio de uma bem cuidada análise psicológica.  “É mister saber compreender a necessidade de afastar-se a fim de melhor observar os caminhos – e descaminhos – que uma vida de energias dissipadas a esmo tem a oferecer”, escreveu.

Afinal, a tradição zen-budista lembra que ócio e trabalho são atividades tão próximas que, para aquele que se dedica a elas, é impossível diferenciá-las. 

Descubra seu caminho para ser mais produtivo

Nós já falamos sobre como os testes de personalidade e de perfil comportamental podem  ajudar a direcionar melhor a carreira.

Eles também ajudam a descobrir o melhor caminho para aumentar a produtividade seja nos estudos seja no trabalho.

Pessoas mais organizadas, por exemplo, podem ganhar em produtividade se fugirem da rotina enquanto pessoas desorganizadas podem implementar pequenos hábitos para se sair melhor.

Apesar disso, é fundamental que as mudanças sejam inseridas aos poucos para evitar estresse e desgastes emocionais desnecessários.

Busque a plenitude em vez da produtividade

Se você deseja produzir melhor, outra dica é trocar a palavra produtividade por plenitude.

Isso porque desempenhar qualquer tarefa com plenitude significa colocar a sua alma naquilo que faz, sem medo ou regras pré-estabelecidas.

Para que isso funcione, não há receitas. Depois de ter descoberto seu próprio caminho, é fundamental que cada pessoa valorize as tarefas que lhe conferem mais prazer.

Geralmente, carregamos desde a infância os nossos gostos pessoais. É possível, por exemplo, que o seu perfil profissional seja mais flexível e criativo. Nesse caso, ouvir músicas enquanto trabalha pode ajudar a trabalhar com mais plenitude.

Enquanto para alguns, trabalhar sem parar e concluir as atividades no prazo é algo que causa mais satisfação, para outros profissionais, pausas criativas são indispensáveis para melhorar a forma como realiza o trabalho ou o estudo.

Em suma, o caminho para a plenitude é único e intransferível. 

Experimente o ócio criativo

Por fim, vale também a pena colocar em prática o conceito de Ócio Criativo. Esse conceito foi  cunhado pelo sociólogo italiano Domenico De Masi para aprender a conciliar, com equilíbrio, trabalho, estudo e lazer.

No artigo, “O ócio criativo e suas perspectivas na educação”, Adilson Cristiano Habowski  e Elaine Conte discorrem justamente sobre as dimensões do ócio criativo.

Listamos abaixo as dimensões que podem ajudar a compreender melhor o que significam cada uma das três áreas:

  • trabalhar para produzir riquezas
  • aprender com o outro
  • estudar para criar novos conhecimentos
  • brincar para gerar o bem-estar

De modo geral, o ócio criativo valoriza a expressão criativa. Estamos falando de processos que, segundo os autores, envolvem o repensar no mundo do conhecimento.

Tratam-se, acima de tudo, de atos de coragem e criação, assim como espaços de liberdade, de transformação e de força hermenêutica.

Na prática, são atividades que podem envolver, por exemplo, a reelaboração escrita, emotiva, sensível e a construção de narrativas que envolvem o repensar no mundo do conhecimento.

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