O que é terraformação? O que isso tem a ver com o curso de Agronomia?

Vanessa Zampronho
Colaborador do Hora Da Facul
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Crédito: Foto de Jake Young no Pexels

Parece coisa de ficção científica, mas o termo terraformação está se tornando cada vez mais uma realidade – e será fundamental no futuro, quando a humanidade começar a explorar outros planetas. Assim, a terraformação já é alvo de estudos de profissionais das mais variadas áreas, como Engenharia, Biologia, Matemática e…Agronomia!

Afinal, a terraformação é o processo pelo qual se modificam a atmosfera, solo, topografia, temperatura e a ecologia de um planeta ou satélite. A ideia é torná-lo o mais parecido com a Terra possível. E por que isso? Para que, em um futuro que não se espera muito distante, os seres humanos possam vir a morar fora da Terra.

Já dá para imaginar que a terraformação é um processo bastante complexo, que leva tempo e precisa de pessoas qualificadas. Uma delas é o profissional da Agronomia. Afinal, não é somente chegar no novo planeta e começar a construir edifícios. De onde virão os alimentos? Como manusear o espaço a ponto de fazê-lo sustentável?

Agronomia e a terraformação

O que faz um agrônomo em condições normais de temperatura e pressão? Aqui na Terra, ele tem conhecimento para saber preparar o solo para o plantio, faz o controle de pragas, a adubação e irrigação, entre outras atividades. Além disso, ele conhece as características dos alimentos plantados e sabe como armazená-los até serem transportados.

A Agronomia faz parte das Ciências Agrárias, que estuda a relação do homem com o solo e o seu cultivo. A faculdade de Agronomia dura cinco anos, em média, e oferece disciplinas das áreas de Exatas, Humanas e Biológicas. Assim, matérias como Bioquímica, Meteorologia, Manejo e Produção Florestal, Química, Física, Zoologia e Genética, por exemplo, entram na lista.

E por que essas matérias fazem parte da grade curricular do curso? O agrônomo precisa entender o solo e conhecer as características para fazer as correções necessárias antes de introduzir uma nova plantação. Ou descobrir em qual local determinada cultura tem mais condições de germinar. Além disso, entender o processo de colheita e processamento dos alimentos faz parte de sua rotina.

A conquista no espaço

Embora ainda não seja possível pensar em terraformação em médio prazo, os cientistas já estão pensando em como conquistar novos planetas e satélites para começar colônias humanas. Antes de mais nada, é importante conhecer as condições da futura casa antes de embarcar em uma viagem de muitos anos. Verificar se o planeta tem água é um dos principais desafios. Sem água, fica praticamente inviável o surgimento de qualquer forma de vida.

Mesmo que essa água venha do subsolo, desde que haja tecnologia para extrai-la, já é um ponto de partida. Outro detalhe importante é considerar as condições atmosféricas. Isso inclui os gases que fazem parte do ar, a temperatura, velocidade dos ventos e a pressão. Vamos por partes.

Como cada fator interfere na vida fora da Terra

  • Gases: a atmosfera terrestre é composta basicamente por nitrogênio, oxigênio e dióxido de carbono. Os seres humanos aproveitam o oxigênio, mas as plantas usam também o dióxido de carbono. Assim, se houver condições de produzir uma atmosfera com esses gases em quantidades adequada, dá para pensar em terraformação;
  • Temperatura: embora a Terra tenha temperaturas que vão dos -80°C na Antártida e 50°C no deserto, a média é em torno de 15°C. Ou seja: planetas com temperaturas que fujam muito dessa média também inviabilizam a vida, mas, se for possível trazer pelo menos parte do planeta para a temperatura ideal, ele é um candidato;
  • Velocidade dos ventos: imagine viver com constantes ciclones como o da Grande Mancha Vermelha de Júpiter, que tem o tamanho da Terra e com ventos de velocidades acima de 600 km/h. Haja construção! Assim, ao pensar em como controlar o clima e evitar eventos extremos, a terraformação vai se completando;
  • Pressão: planetas como Vênus, cuja pressão é 90 vezes maior que a da Terra, não facilitam muito a terraformação. Mas Marte tem uma pressão um pouco menor que a da Terra e seria possível, com alguns ajustes, tornar a vida terrena possível.

A agronomia no espaço

Já deu para perceber que a Agronomia tem muito a acrescentar à exploração espacial. O profissional não fará o trabalho sozinho, claro. Engenheiros farão a parte de construção de máquinas, edificações, substâncias químicas e instalação de energia solar. Mas, para tornar o local habitável e sustentável, o conhecimento do agrônomo é fundamental.

Ao conhecer o solo do planeta, ele poderá descobrir quais cultivos são os mais adequados, e como aperfeicoá-los para que outras plantações possam nascer. Criar gado também vai ser um trabalho e tanto: cuidar dos animais em outro mundo requer conhecimento de alimentação, respiração e saúde animal.

Pensar em florestas também entra na lista de tarefas do agrônomo em outro planeta. O oxigênio precisa vir de algum lugar. Pode ser por florestas, que serão cultivadas no ambiente extraterrestre. Se houver lagos ou mares, a implantação de algas marinhas para a produção do gás será fundamental.

Tudo isso é terraformação: preparar o ambiente para que o planeta ou satélite seja habitável pelos humanos. Torná-lo o mais próximo possível do planeta Terra, e evitar que se dependa de proteções externas, como domos gigantescos, por exemplo.

Terraformação distante (?)

Ainda não dispomos de tecnologia para transformar um planeta hostil em um local no qual podemos andar sem proteções externas. Os desafios ainda são muito grandes. Se pensarmos na Lua, que é o local mais próximo (e a quatro dias de viagem), há que se pensar em como manter a temperatura a níveis agradáveis. Por ter uma atmosfera muito rarefeita, ela não consegue reter calor e, assim, a temperatura vai de 214°C de dia a -184° à noite.

Marte é o local mais ‘parecido’ com a Terra, mas a distância não ajuda. Uma viagem até o planeta vermelho pode durar anos, mas, o trabalho do agrônomo será um pouco menos difícil que na Lua. Por ter uma atmosfera mais densa, as temperaturas são mais constantes, e há indícios de água por lá. A Agronomia deve aproveitar essas vantagens para começar a colonizá-lo e tornar a vida possível. Ou seja: a Agronomia faz a diferença para a terraformação e fazer outros mundos se transformarem em filiais da Terra!

Se interessou pela terraformação e pela profissão de agrônomo? Que tal, então, conhecer um pouco mais sobre o curso de Agronomia e suas possibilidades? Continue aqui no Hora da Facul!

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