Relações Internacionais X Governança Global: entenda esses dois conceitos

nathmferreira
Colaborador do Hora Da Facul
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Crédito: Foto de Valentin Antonucci no Pexels

Não é segredo para ninguém que o mundo se torna, a cada dia, mais globalizado. As fronteiras entre os países podem ainda permanecer de forma física, mas cada vez mais as pessoas se consideram como “cidadãs do mundo”, fazendo um intercâmbio de culturas e sistemas de pensar a atualidade. Nesse (nem tão) novo contexto, as Relações Internacionais tornam-se um meio essencial de evitar conflitos desnecessários e de tratar o melhor possível os conflitos necessários que venham a surgir. Para isso, um novo termo vem ganhando força entre os internacionalistas: a Governança Global.

Neste artigo, vamos saber mais sobre a diferença entre os dois campos e como você pode se especializar em cada um deles para aprofundar seus conhecimentos. E, assim se destacar no mercado de trabalho.

Definindo os termos: o que são Relações Internacionais e Governança Global?

Para começar, precisamos definir o que cada uma dessas áreas representa e como atuam no cenário atual. Embora um conceito esteja dentro do outro, eles se aplicam de formas diferentes e cresceram de formas distintas ao longo do tempo e dos estudos teóricos sobre o tema.

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Relações Internacionais

O contexto de surgimento de Relações Internacionais surgiu da necessidade de tentar resolver, o melhor possível, todas as pendências deixadas após a Primeira Guerra Mundial, o primeiro grande conflito armado pelo qual a humanidade passou. Após o final da guerra, teóricos da Ciência Política começaram a se debruçar sobre as questões que ficaram em aberto e ainda causavam conflito entre os países e em como poderiam resolvê-las de forma diplomática.

Esses estudos perduraram por anos, mas tornaram-se mais intensos durante o período conhecido como Guerra Fria, onde os Estados Unidos e a então União Soviética travavam um conflito indireto, medindo forças e trocando ameaças mútuas, inclusive de ataques nucleares. Mais do que nunca o papel dos diplomatas foi necessário.

No entanto, ainda haveria uma terceira etapa do processo de amadurecimento das Relações Internacionais, o crescimento do capitalismo e da globalização trouxe em conjunto um aumento da interdependência econômica entre os países e o avanço tecnológico das telecomunicações. Assim, surge a necessidade de criar um relacionamento saudável entre os países, para evitar a geração de problemas econômicos, políticos e sociais para todos os lados envolvidos nas negociações.

Governança Global

É exatamente nesse ponto, onde as relações entre os Estados estão cada vez mais estreitas e delicadas, que as organizações supranacionais. Como a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Conselho da Europa e Organização Mundial do Comércio (OMC). Além também das organizações não governamentais (ONG’s) que tem atuação internacional, como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e os Médicos sem Fronteiras.

Todas essas organizações internacionais nascem com o objetivo de ajudar a definir uma agenda internacional, definindo quais temas são de maior importância no momento e ajudando com conflitos políticos entre os Estados. No entanto, elas não possuem nenhum poder sobre esses Estados, apenas podem ajudar a traçar diretrizes e orientações.

Em meio a esse espírito de pensamento mundial, o termo Governança Global surge como um conceito nos estudos de Relações Internacionais, variando seu significado conforme a área de estudo que está debruçada sobre o tema (Relações Internacionais, Administração Pública ou Administração de empresas). Além disso, o conceito passou por diversas modificações ao longo do tempo. 

A governança é um conceito antigo ao qual se soma o termo “global” conforme a presença do sistema de globalização mundial se tornou mais ativo. Assim, a governança do global, ou seja, o modo com as instituições funcionam e são comandadas, passa a ser a governança no global, isto é, a reorganização de como as diferentes autoridades se relacionam em um mundo cada vez mais globalizado.

O Estado passa então a ser apenas um dos atores políticos no processo das relações internacionais, que segundo a governança global passa a incluir organizações, regiões e até mesmo cidades. Mas vamos falar um pouco mais sobre isso no próximo tópico.

Quais as principais diferenças?

Mesmo que o conceito de Governança Global esteja inserido nos estudos de Relações Internacionais, eles divergem entre si em alguns pontos. Isso se deve ao fato de que enquanto nas Relações Internacionais os termos são mais limitados, a Governança Global busca expandir esses conceitos – como o próprio nome já diz. 

Por isso, vamos separar essas diferenças por tópicos.

  • Importância do Estado – para a área de Relações Internacionais o Estado e seus interesses são o único ator no relacionamento entre eles mesmos enquanto, no conceito de Governança Global, organizações supranacionais e não governamentais, assim como regiões e cidades, têm o mesmo peso e importância que os Estados. 
  • Relacionamentos: a relação entre os países, diretamente, é o único foco das Relações Internacionais; já a Governança Global defende que devem ser consideradas relações mais amplas, incluindo interações de nível nacional, regional e local.
  • Hierarquia: a hierarquia é um fator importante nas Relações Internacionais, enquanto na Governança Global ela é mais difícil de estabelecer, visto que a ideia é que os relacionamentos ocorram em vários níveis.
  • Autoridade: no conceito de Relações Internacionais apenas o Estado e seus interesses possuem autoridade para as negociações, enquanto a ideia da Governança Global é exatamente que novos atores, como cidades e organizações, também possam ter suas necessidades ouvidas e possam também criar autoridade.

Agora que sabemos um pouco mais sobre os conceitos e como eles estão inseridos dentro da mesma área, vamos falar um pouco sobre o internacionalista, o profissional de Relações Internacionais.

O que faz um profissional de Relações Internacionais?

O internacionalista é responsável por trabalhar com a negociação, a formulação de políticas e a análise de conjunturas internacionais. Sendo assim, ele é o profissional à quem os países recorrem quando precisam estabelecer um diálogo e formar acordos que beneficiem ambas as partes. Ele também pode ter a importante missão de evitar conflitos ou minimizá-los quando os problemas ocorrem.

Por isso, esse especialista precisa ter amplo conhecimento sobre política, economia e sociedade, principalmente, claro, sobre as partes envolvidas na negociação. Assim, pode elaborar um planejamento e fazer uma gestão de crise para alcançar um resultado que beneficie a todos os lados envolvidos.

Quais habilidades esses profissionais devem possuir?

Um aluno de Relações Internacionais deve possuir um amplo conjunto de habilidades se deseja entrar no curso e prosseguir no mercado de trabalho. Listamos abaixo algumas das mais importantes.

– gostar de línguas estrangeiras 

– poder de negociação 

– elaboração de estratégias 

– análise de cenários políticos, sociais e econômicos, e sobre como aproveitar esse cenários 

– mediação de conflitos

– gerenciamento de crise

Como é o mercado de trabalho para essa área?

Engana-se quem pensa que a diplomacia e os cargos públicos são o único caminho de carreira para o internacionalista. Outras opções de atuação, inclusive em empresas privadas, são política internacional, análise de conjuntura econômica e social, planejamento estratégico, inteligência competitiva, assessoria de governos e empresas, negociações internacionais, análise de riscos políticos, consultoria estratégica e de operações financeiras internacionais.

Como e onde cursar Relações Internacionais?

A formação em Relações Internacionais não é fácil: é um curso que exige muita leitura teórica e domínio de línguas estrangeiras. Além disso, é bastante focado na interdisciplinaridade, com disciplinas que giram em torno de conhecimentos como antropologia, sociologia, ciência política, economia, , direito, estatística, cultura, conjunturas internacionais e relações humanas. Apesar disso, também possuem algumas práticas em laboratórios de simulação. 

Existe um vasto leque de opções de faculdades públicas e privadas para fazer o curso de Relações Internacionais. Relacionamos algumas das melhor conceituadas abaixo:

Unopar

Pitágoras

– USP

– UFRJ

– FMU

Agora que você já sabe tudo sobre Relações Internacionais e Governança Global, não perca tempo e vá fundo nos estudos!

Para saber mais sobre essa área, não deixe de acessar os links abaixo:

Qual a duração do curso de Ciência Política?

Competências importantes para Relações Internacionais

Relações Internacionais: qual o perfil do profissional?

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